sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011

FILOSOFIA E CONHECIMENTO - FICHA 5 - KANT


UNIDADE 2
A RACIONALIDADE CIENTÍFICO-TECNOLÓGICA
CAPÍTULO 2
TEORIAS EXPLICATIVAS DO CONHECIMENTO

FICHA 5
O RACIONALISMO CRÍTICO DE KANT – Importância e limites da sensibilidade.
1
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a) Kant não pergunta se é possível o conhecimento, mas sim como é ele possível. Trata-se, por conseguinte, de esclarecer as condições de possibilidade de um facto (o conhecimento científico) e não de mostrar se há ou não conhecimentos científicos.
b) Todo o conhecimento começa com a experiência.
c) Todo o conhecimento começa com a experiência, mas nem todo deriva desta. O conhecimento que não deriva da experiência, embora comece com ela, é o conhecimento científico.
d) O conhecimento humano está limitado aos objectos de que temos experiência, mas não é um conhecimento exclusivamente empírico.
e) O conhecimento empírico no sentido restrito do termo é-nos dado por uma faculdade a que Kant chama sensibilidade.
f) O conhecimento empírico é descritivo, ao passo que o conhecimento científico é explicativo.
g) O conhecimento empírico, obra da sensibilidade, é possível porque esta está equipada com duas formas que lhe permitem descrever o que acontece no mundo natural. Essas formas são o espaço e o tempo.
h) Todo o conhecimento começa com a intuição empírica. A intuição empírica ou experiência é a recepção de dados ou impressões sensíveis mediante duas formas com as quais a sensibilidade está "equipada": o espaço e o tempo.
i) Intuir é receber dados empíricos, espacializando-os e temporalizando-os.
j) Só é possível a intuição de realidades que possam ser enquadradas no espaço e no tempo. Essas realidades são sensíveis porque posso referir-me a elas como acontecendo num determinado lugar — ocupam esse lugar — e num determinado momento – acontecem agora, aconteceram antes, acontecerão depois. As realidades não espacializáveis ou temporalizáveis escapam à nossa intuição, não estão em relação efectiva connosco, não temos qualquer experiência delas.
k) O espaço e o tempo não são objectos ou coisas de que tenhamos experiência. São a nossa forma de ter experiência das coisas.
l) Não é por eu intuir determinadas coisas situadas aqui, ali ou acolá que formo a "noção" de espaço. Este já tem de estar em mim para espacializar algo, isto é, para intuir que acontece aqui, ali ou acolá. O tempo não é uma "noção" que eu forme depois de receber determinadas impressões, umas agora, outras depois. Distinguir que umas acontecem ou se dão antes de outras pressupõe que antes de as intuir já estou equipado com a "noção" de tempo. Por isso diz Kant que o espaço e o tempo são formas a priori da sensibilidade.
m) Espaço e tempo não são coisas das quais recebamos impressões sensíveis nem dados empíricos ou impressões sensíveis, mas sim o modo como recebo (intuo) esses dados ou impressões.
o) Os fenómenos (acontecimentos do mundo) são os objectos da nossa intuição, ou seja, são as impressões sensíveis provenientes das coisas e espacializadas e temporalizadas.
p) Como o espaço e o tempo precedem e tornam possível toda a nossa experiência, Kant diz que são estruturas transcendentais da nossa sensibilidade. Sem elas não teríamos linguagem para falar do que acontece e do que nos acontece.
q) A sensibilidade é condição necessária do conhecimento científico, mas não é condição suficiente. A sensibilidade só estabelece entre os dados sensíveis ou fenómenos uma relação de sucessão temporal, "desconhecendo" que muitos deles estão necessariamente ligados. Para a sensibilidade um fenómeno acontece antes ou depois de outro num dado lugar. Só consegue estabelecer esta ligação espacial e temporal entre os acontecimentos. 
r) Se nos limitássemos ao conhecimento sensível ou empírico – produzido pela sensibilidade, pelos sentidos – não saberíamos por que razão os corpos dilatam, caem, sobem, perdem volume, ganham volume, aumentam ou diminuem de peso. O nosso conhecimento do mundo seria um mero registo de acontecimentos cuja causa nos escaparia. Ora, não é isso o que acontece. A ciência da natureza existe e tal significa que a nossa faculdade de conhecer não está só equipada com a sensibilidade.


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