sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011

FILOSOFIA E CONHECIMENTO - FICHA 7 - KANT


UNIDADE 2
A RACIONALIDADE CIENTÍFICO-TECNOLÓGICA
CAPÍTULO 2
TEORIAS EXPLICATIVAS DO CONHECIMENTO

FICHA 7
O RACIONALISMO CRÍTICO DE KANT – Importância e limites da razão.

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a) Além do entendimento, outra faculdade intervém no processo de conhecimento. Essa faculdade é a razão.
b) A análise das condições de possibilidade do conhecimento científico apresentou duas teses fundamentais:
1 – O conhecimento científico não é empírico, mas é impossível sem a referência à experiência. Conceitos sem intuições são vazios, diz Kant. O entendi­mento, a faculdade que propriamente falando conhece cientificamente (porque só ele pode estabelecer relações necessárias entre os dados sensíveis, os fenómenos), precisa do contributo da sensibilidade: só esta, mediante as suas formas a priori, re­cebe as impressões ou dados sensíveis às quais o entendimento, que não tem o po­der de intuir, aplicará os seus conceitos, ligando os dados sensíveis.
2 - O conhecimento científico começa com a recepção das impressões sensíveis, com a experiência e, embora não derive dela, mas sim das formas a priori do su­jeito, só pode ter como objecto os dados sensíveis: o conhecimento científico de realidades metafísicas é impossível.

c) Ora, a razão em sentido estrito tem duas ilusões: 1 – Julga que pode conhecer objectos sozinha; e 2 – Pretende atingir o conhecimento de realidades que estão fora do plano natural, fenoménico ou empírico.

d) Kant chama pura à razão desligada da sensibilidade e, por conseguinte, sem qualquer ligação com a experiência ou a intuição empírica. A tradição racionalista, inspirada sobretudo em Descartes e tendo Wolff como expoente máximo no tempo de Kant, acreditava na possibilidade de um conhecimento puramente racional, que fosse obra exclusiva da razão. Chama-se pura à razão desligada da sensibilidade e, por conseguinte, sem qualquer ligação com a experiência ou a intuição empírica.

e) Kant não admite que a "pureza" da razão no plano do conhecimento seja defensável, isto é, rejeitará a possibilidade de constituir conhecimento sem o contributo da sensibilidade. Como só podemos conhecer aquilo que podemos intuir (e só temos intuição de realida­des empíricas), a razão pura não pode conhecer nem realidades empíricas nem realidades metafísicas.
f) Não podendo constituir conhecimentos, será a razão pura uma faculdade absoluta­mente desligada do processo de conhecimento? Não terá ela nenhum uso? Será supérflua? A resposta de Kant é negativa. A razão vai intervir no processo de conhecimento precisamente devido àquilo que a caracteriza: O desejo de conhecimento absoluto.
g) A razão, dada a sua vontade de conhecimento absoluto, exige que não fiquemos pelo que é condicionado e que encontremos o que é incondicionado. A sensibilidade produzia intuições e o entendimento conceitos. A razão produz ideias. A ideia suprema da razão é a ideia de Deus. Como forma esta ideia? O que o entendimento consegue no plano do conhecimento não satisfaz a razão. Esta deseja explicações definitivas, absolutas. Ora, o entendimento, ao explicar os fenómenos, encontra como causa de um fenómeno sempre outro fenómeno, nunca atingindo, já que não ultrapassa o plano dos objectos espaciotemporalmente enquadrados, a causa última ou incondicionada de todos os fenómenos.
h) Ao formar a ideia de uma causa incondicionada de todos os fenómenos, a razão pura está a formar a ideia de Deus. A ideia de Deus não deriva da experiência, pois é o resultado da insatisfa­ção da razão com explicações que, como causa dos fenómenos, encontram sempre uma reali­dade fenoménica, isto é, condicionada. A ideia de Deus, forma a priori da razão pura, surge como resultado da vontade de absoluto que anima a razão humana, exprimindo a sua voca­ção essencialmente metafísica. Traduz o desejo de absoluto, mas nada mais.
i) Para que serve esta ideia? Para que serve a ideia de Deus, símbolo desse ideal irrealizável para nós que é o conhecimento absoluto e definitivo do universo, de tudo? Que ideia temos de Deus? Deus é para nós, entre outras coisas, um ser omnisciente, que tudo conhece. Mais do que uma ideia, Deus é um ideal: desejaríamos ser tal como Deus é em termos de conhecimento.
i) Pode esse ideal contribuir para o processo de conhecimento? Kant pensa que sim.
j) A razão deve incutir esse ideal na faculdade que propriamente falando conhece, ou seja, o entendimento, e este deve procurar realizar o ideal.
k) Que relação se estabelece então entre razão e entendimento? A razão vai dar uma regra à actividade científica do entendimento, ou seja, vai regular essa actividade. O que diz essa regra? Diz o seguinte: «Conhece como se fosse possível atingir o conheci­mento absoluto».
l) O que significa esta regra? Significa o seguinte: a razão convida o entendimento a estabelecer relações causais entre os fenómenos como se fosse possível prolongar a série das causas condicionadas até encontrar a causa úl­tima de todos os fenómenos.
m) O conhecimento absoluto simbolizado pela ideia de Deus é um ideal irrealizável. Contudo, que­rer realizá-lo tem consequências positivas. Com efeito, o entendimento, ao procurar realizá-lo, vai considerar sempre provisórios os seus conhecimentos, não se satisfará nunca com as expli­cações alcançadas. E de explicação em explicação vai progredindo no conhecimento do mundo dos fenómenos, como se um dia fosse possível explicá-lo definitiva e totalmente.
n) A ideia de Deus é condição de possibilidade, não do conheci­mento, mas sim do progresso do conhecimento. A ideia de Deus é um ideal porque representa um ser que supo­mos omnisciente, que não só supomos criador de tudo, mas também conhecedor de tudo. Agir como se fosse possível conhecer tudo absoluta e definitivamente, ter a chave que explica o mistério de todas as coisas, é agir segundo a ideia de Deus. É essa a regra que a razão dá ao entendimento para que este nunca perca o desejo de conhecer. Assim, a razão é condição de possibilidade do progresso do conhecimento científico.







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