terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

QUESTÕES DE ESCOLHA MÚLTIPLA SOBRE A ÉTICA KANTIANA


QUESTÕES DE ESCOLHA MÚLTIPLA SOBRE A ÉTICA KANTIANA
Seleccione a alternativa correcta – ou as alternativas correctas quando for o caso.

1.Segundo Kant, agir moralmente bem depende:
a)Dos resultados da acção;
b)Da intenção ou do motivo do agente;
c) Da intenção ou motivo do agente façamos o que fizermos;
d)Da satisfação interior que decorre da acção realizada.
R: b)Da intenção ou do motivo do agente.

2. Agir em conformidade com o dever é:
a)Respeitar a lei moral porque não se pratica crime algum.
b) Respeitar uma exigência moral categórica;
c)Cumprir o dever sem qualquer outro objectivo.
d)Agir de uma forma em que os nossos desejos e interesses influenciam a nossa motivação.
R: d)Agir de uma forma em que os nossos desejos e interesses influenciam a nossa motivação.
3. Uma acção genuinamente moral é, para Kant, a que:
a) Fazemos por compaixão;
b)Fazemos por amor ao próximo;
c) Fazemos por respeito absoluto pela lei moral.
d) Fazemos por interesse em cumprir o dever.
R: c) Fazemos por respeito absoluto pela lei moral.
4.Segundo Kant, para determinar o valor moral de uma acção temos de dar atenção:
a) Ao motivo da acção;
b) À razão porque realizámos essa acção;
c)Aos efeitos da acção;
d)Ao que resulta do que fizemos.
R: a) Ao motivo da acção; b) À razão (motivo) porque realizámos essa acção. O motivo do acto é que determina o seu valor moral.
5.A boa vontade é:
a)A vontade que age motivada exclusivamente pelo cumprimento do dever;
b)O único motivo incondicionalmente bom de um acto;
c)O único motivo genuinamente moral de uma acção;
d)A vontade cujos actos produzem sempre boas consequências.
R: As três primeiras alíneas estão correctas. A boa vontade é o único motivo intrínseca e incondicionalmente bom. Um acto que procede de uma boa vontade é bom em si mesmo e não por causa dos seus resultados.
6.Para Kant,
a) Os deveres são obrigações que devemos cumprir;
b) Os deveres são todos absolutos;
c)Os deveres são todos perfeitos;
d) Há deveres que são absolutos e deveres que admitem excepções;
R: As alíneas a) e d) estão correctas. Os deveres são obrigações ou imperativos. Alguns são absolutos - «Diz sempre a verdade», «Cumpre sempre as tuas promessas» e «Nunca cometas suicídio» são a forma absoluta de exprimir as obrigações de não mentir, de cumprir o prometido e de manter a vida. Mas nem todos os deveres são absolutos. Há deveres cujo cumprimento admite excepções – os deveres que Kant considera imperfeitos – tais como «Não desperdices os teus talentos» e «Ajuda o próximo».
Há também, em sentido muito lato, deveres que só se aplicam no caso de através do seu cumprimento desejarmos algum fim. Sirva como exemplo, «Deves estudar se quiseres ser engenheiro».

7. De acordo com Kant,
a) Para agir moralmente é suficiente fazer o que é correcto;
b)Para agir moralmente temos de sentir simpatia pelos outros;
c)Para agir moralmente temos de fazer o que é correcto pelas razões correctas;
d)Para agir moralmente temos respeitar a vontade de Deus.
R: c)Para agir moralmente temos de fazer o que é correcto pelas razões correctas. O motivo é o critério decisivo da moralidade doa actos.
8. Assinale a máxima ou as máximas que para Kant têm valor moral genuíno.
a)«Serei honesto com os meus clientes de modo a ganhar a sua confiança e aumentar os meus lucros»;
b)«Serei honesto com os meus clientes porque são boas pessoas»;
c)«Não enganarei os meus clientes porque tenho bom carácter e gosto deles»;
d)«Serei honesto com os meus clientes porque além de gostar deles penso que essa é a minha obrigação»;
e)«Serei honesto com os meus clientes porque a minha obrigação é respeitá – los.
R: Sá a alínea e) seria considerada correcta por Kant. O cumprimento do dever só acontece genuinamente quando fazer o que é moralmente correcto é suficiente para motivar a vontade ou quando o motivo do acto é uma boa vontade e não o interesse pessoal, a simpatia o carácter do agente ou o carácter dos outros.
9. Segundo Kant, as obrigações morais como «Não matar inocentes» e «Não roubar ou mentir» são:
a)Condicionais;
b)Obrigações dependentes da nossa simpatia pelos outros;
c)Deveres cujo cumprimento não é absolutamente obrigatório se tiver consequências negativas;
d)Direitos dos outros que devemos respeitar absolutamente;
e)Regras que não estão sujeitas a excepções.
R: e)Regras que não estão sujeitas a excepções. As obrigações morais não são imperativos hipotéticos porque então cumprir – se – iam umas vezes e outras dependendo do nosso interesse ou outros factores. Ora as obrigações não podem depender dos desejos. Só faríamos o que quereríamos ou nos apetecesse. São obrigações universais – para todos os seres racionais – e se dependessem de sentimentos de simpatia pelos outros perderiam o seu carácter absoluto. Quando deixássemos de sentir simpatia deixaria de haver obrigação. Os deveres valem independentemente das consequências porque o que é moralmente relevante é a intenção ou o motivo do acto. Uma ética deontológica parte do princípio de que não há deveres sem direitos e que cumprir um dever é fazer algo que constitui uma expectativa legítima dos outros.
10. O imperativo categórico é:
a) Um princípio incondicionalmente imposto pela razão;
b)Um princípio que nos diz a forma como devemos cumprir o dever;
c) Uma obrigação absoluta e incondicionada;
d)Um princípio que nada tem a ver coma s máximas que orientam as nossas acções.
R: As alíneas a), b) e c) são verdadeiras. O imperativo categórico diz – nos, em geral, de que forma devemos agir para agir de modo moralmente correcto. Não há vários imperativos categóricos mas um só, ao contrário do que acontece com os imperativos hipotéticos. O que há é vários deveres específicos ou mais particulares que derivam do imperativo categórico neste sentido: são máximas que têm valor moral porque podemos querer que todos ajam segundo elas, isto é, são máximas que se tornaram leis universais e são por isso aplicadas a diversas situações morais particulares. Por isso, é errado dizer que o imperativo categórico nada tem a ver coma s máximas que orientam as nossas acções. Nas suas duas modalidades mais conhecidas ele é o teste pelo qual têm de passar as máximas ou regras que escolhemos para dirigir as nossas acções individuais. Que teste é esse? O teste da universalidade baseado numa questão simples: «E se todos agissem como eu? Se todos agisse de acordo com o motivo que é o meu nas mesmas circunstâncias? Seria moralmente correcto fazê – lo?».
11. As máximas são:
a) Regras segundo as quais agimos;
b)Regras segundo as quais devemos agir se forem universalizáveis;
c)Regras ou princípios que exprimem o motivo da nossa acção;
d)Aquilo de que depende o valor moral de uma acção;
e) Regras segundo as quais devemos sempre agir.
R: As alíneas a); b); c) e d) são verdadeiras. Só devemos agir segundo máximas que possam valer para todos os seres racionais, isto é, se pudermos querer sem contradição que todos ajam segundo o motivo subjacente à nossa acção.
12.Ajudar os outros por compaixão é, segundo Kant, uma acção:
a)Louvável;
b)Correcta porque baseada num bom sentimento;
c)Motivada pelo sentido do dever;
d)Uma acção correcta realizada por um motivo sem valor moral.
R: As alíneas a) e d) são verdadeiras. Só têm valor moral – só são genuinamente boas – as acções exclusivamente motivadas pelo dever. Se julgamos ter o dever de ajudar os outros devemos fazê – lo apenas porque julgamos que é nosso dever ajudar os outros. A compaixão não é razão suficientemente aceitável para ajudar os outros porque se não tivermos esse sentimento não cumprimos tal dever. Ora isso, segundo Kant, é deixar o cumprimento do dever à mercê de inclinações, sempre variáveis. Devemos agir de forma puramente racional e embora os sentimentos como a compaixão não sejam contrários ao dever, retiram à acção a pureza racional que ela deve ter.
13.Segundo Kant,
a) É errado tratar os outros seres humanos como meios;
b) É errado desrespeitar a autonomia dos outros;
c)É errado forçar os outros a prestarem – nos serviços;
d)Não é permissível tratar os seres humanos de qualquer forma.
R: As alíneas b), c) e d) são verdadeiras. A alínea a) é falsa porque podemos tratar os outros como meios desde que não os tratemos como simples instrumentos da nossa vontade e dos nossos interesses. Temos de respeitar os seres humanos como pessoas – fins em si – mas isso não significa que não prestemos serviços uns aos outros. Um taxista presta serviço a um cliente, um médico a um paciente, um funcionário a um cidadão e um futebolista ao seu clube ou à selecção do seu país. Em si, estes actos nada têm de errado. Só serão moralmente errados se forem praticados contra a vontade das referidas pessoas, se estas forem forçadas a prestar tais serviços. Ao respeitarmos a sua vontade, ao considerarmos correcto que sejam beneficiados por que beneficiam outras pessas e ao admitirmos que o fazem porque querem, tratamo – los não só como meios mas também como fins.
14. Ajudo alguém porque espero ser recompensado ou porque sinto ter o dever de o fazer. Esta exemplo significa que:
a) A mesma acção pode ser praticada com diferentes intenções.
b) A mesma acção pode ter diferentes consequências.
c) A moral kantiana é um conjunto de normas absolutas.
d) Apenas no primeiro caso a acção tem valor moral.
R: a) A mesma acção pode ser praticada com diferentes intenções.
15. Quando Kant afirma que o valor moral de uma acção depende da intenção quer dizer que:
a) Uma acção tem valor moral se for motivada apenas pela compaixão pelos outros.
b). O conhecimento das intenções permite ficar a saber as razões que motivaram o agente a praticar uma acção.
c) Há acções que não têm consequências.
d) Para determinar o valor moral de uma acção é, algumas vezes, necessário saber com que intenção essa acção foi praticada.
R: b). O conhecimento das intenções permite ficar a saber as razões que motivaram o agente a praticar uma acção.
16. Quando se afirma que a ética kantiana é um sistema de deveres absolutos quer – se dizer que:
a)Todos os nossos deveres são absolutos ou perfeitos.
b)Nenhum dos nossos deveres admite excepções.
c)Há obrigações morais que temos de respeitar mesmo que respeitá-las tenha consequências negativas para todos.
d) As regras morais são leis estabelecidas pela razão e valem para (aplicam-se a) todos os seres racionais.
R: c)Há obrigações morais que temos de respeitar mesmo que respeitá-las tenha consequências negativas para todos.
Há obrigações ou deveres que dependem dos nossos desejos, interesses ou projectos. Neste caso, a acção guia – se por um imperativo hipotético. Há deveres – não matar, não roubar, não mentir – que serão sempre obrigações independentemente dos nossos interesses, dos nossos projectos ou das circunstâncias. A alínea d) refere – se à universalidade de certas obrigações morais e não ao seu carácter aabsoluto.
17. As regras morais devem ser respeitadas independentemente das consequências (boas ou más). Esta afirmação vale para:
a)O consequencialismo.
b)O utilitarismo
c) O deontologismo ou ética deontológica.
d)O altruísmo.
R: c) O deontologismo ou ética deontológica.
18. Segundo a ética deontológica de Kant, o bem último da acção é:
a) A felicidade.
b) A vontade boa.
c) O interesse da maioria.
d) Viver com a consciência tranquila.
R: b) A vontade boa. Cumprir o imperativo categórico é o que faz uma acção ser correcta e a vontade ser boa. A alínea a) vale para Mill desde que não seja apenas a felicidade do agente o que se obtém. Produzir a maior felicidade para o maior número é o que faz uma acção ser correcta segundo o utilitarismo.

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