quarta-feira, 2 de Março de 2011

O CONCEITO DE ARTE AO LONGO DOS TEMPOS


O Conceito de Arte ao Longo dos Tempos


O termo arte procede etimologicamente do termo latino “ars”, que por sua vez se relaciona com o termo grego “techné”. “Techné” designava, para os gregos, a habilidade ou capacidade de produzir algo.

O Conceito de Arte na Antiguidade e na Idade Média


Durante muito tempo considerou-se que a arte consistia na habilidade e perícia na produção de um determinado objecto. Para os gregos e para os romanos, um carpinteiro era um artista: seguindo certos conhecimentos e regras revelava habilidade e perícia e por isso o que produzia era arte.
Durante a Idade Média efectuou-se a distinção entre artes liberais e artes mecânicas. As primeiras exigiam esforço mental e da sua lista constavam sete artes: a gramática, a retórica, a lógica (a arte de pensar), a aritmética (a arte de calcular), a geometria, a astronomia e a música (entendida como teoria da harmonia). Não se constituiu qualquer lista sistemática no que respeite às artes mecânicas (as que exigiam esforço físico), embora sejam frequentemente referidas a arquitectura, a medicina, a arte militar e uma ou outra vez o teatro, a printura e a escultura. Note-se contudo que estas duas últimas artes gozavam de fraco prestígio: os pintores e os escultores eram considerados artistas menores, com um estatuto social idêntico aos dos ceramistas, ourives e canteiros.

O Conceito de Arte na Idade Moderna


Com o Renascimento e o Romantismo produzem-se alterações significativas na até então tradicional concepção das artes. Artes consideradas menores como a pintura, a escultura e mesmo a arquitecutra são agora valorizadas, distinguindo-se claramente das artes mecânicas (que deixam de ser propriamente artes para passarem a ser “técnicas”).
Com o Renascimento começa a impor-se a distinção entre artista e artesão, entre produção artística e produção técnica, melhor dizendo, entre arte e artesanato. O nome de artista passou a ser exclusivamente aplicado a pintores, escultores, arquitectos, poetas e músicos. O artista, embora reconhecendo-se que devia ter habilidade, perícia e conhecimento de preceitos técnicos, era um indivíduo excepcional, com capacidades especiais, o criador de obras únicas, inconfundíveis e irrepetíveis (“as obras de arte”). A criatividade artística não é redutível a regras e preceitos. Não pode ser dito artista aquele que, apesar de um bom domínio técnico, seguir as regras inventadas por outros. Tem de estar acima do nível próprio dos artesãos, cujos melhores representantes só repetem com perfeição as regras de habilidade e a destreza dos seus mestres. O artista é agora o “génio”, imagem que atinge o seu apogeu com o Romantismo.
O critério de demarcação — a fronteira — entre o que é arte e o que não é arte passa a ser o objectivo da actividade e já não propriamente a técnica. Afirma-se que o objectivo da arte é a produção da beleza e não a do conhecimento (por isso a aritmética, a lógica, a gramática já não são reconhecidas como artes) nem de objectos úteis. A função exclusiva das obras artísticas é a de serem manifestação da criatividade do artista na procura da beleza que é dada à contemplação do espectador.
Apesar da preocupação em demarcar o artístico do não artístico, as fronteiras não são absolutamente claras, pelo que a classificação das artes nunca foi, ao longo dos tempos, precisa e consensual.
A distinção medieval entre artes liberais e artes mecânicas foi progressivamente abandonada a partir do Renascimento, mas tardou a surgir uma nova classificação. Só no século xviii é proposta por Kant a distinção entre “artes agradáveis” e “belas artes”. As primeiras são as que têm como única finalidade o gozo (os jogos, a gastronomia e as conversas engenhosas são exemplos). As segundas dão-nos algo mais do que um mero prazer sensorial porque são um modo de conhecimento (não científico ou conceptual). Produzem em nós um prazer puro e desinteressado (contemplativo) que as coloca bem acima do prazer superficial, sensorial, das “artes agradáveis”.
O que interessa reter desta divisão kantiana é o facto de as artes terem passado a identificar-se com as “belas artes”. E quais são as “belas artes”? O francês Satteux propôs uma classificação que obteve razoável aceitação. O elenco das “belas artes” era formado por sete artes: a pintura, a escultura, a música, a poesia (literatura), a dança, a arquitectura e a eloquência. Rapidamente esta última deixou de ser considerada uma arte. O seu lugar foi ocupado a partir de finais do século XIX e inícios do século XX pelo cinema, pela arte cinematográfica, por isso mesmo designada como a “sétima arte”.

Arte

1 – Baseia-se na imaginação e criatividade do artista e se- cundariamente em conhecimentos técnicos e habilidades.
2 – A marca distintiva da obra artística é a originalidade.
3 – A obra artística é autónoma: pode ser perfeitamente inútil — um fim em si mesma — não tem de adaptar-se a função alguma.
4 – A obra artística é única e irrepetível — tem de possuir a marca inconfundível do seu criador.
5 – É uma obra de autor.

Artesanato

1 – Baseia-se na aplicação de conhecimentos e de regras técnicas.
2 – Funda-se na experiência e na tradição.
3 – A obra artesanal tem de ser útil. O seu valor depende da adaptação à função que deve cumprir.
4 – A obra artesanal não tem necessariamente carácter único. Pode ser o resultado de uma repetição.
5 – É uma obra anónima.

A Arte na Era da Reprodutividade Técnica


A produção mecânica e a intervenção de tec- nologia puramente mecânica na produção artística alteraram, no século XX, o estatuto da arte. Com efeito, o carácter único da obra de arte foi substituído pela repetição em série. Daí resulta um risco: a uniformização e a massificação por muitos consideradas incompatíveis com uma concepção rigorosa da criação artística. Actualmente não existe uma classificação estrita das artes. Não só aparecem novas artes como se esbatem fronteiras tradicionalmente estabelecidas entre as artes (como, por exemplo, entre pintura e escultura) e novas produções, que outrora seriam consideradas próprias de artesãos e não de artistas, reivindicam o estatuto de criações artísticas. É o caso do desenho industrial e da moda.

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