quarta-feira, 30 de março de 2011

ACTIVIDADES SOBRE O CONCEITO DE ARTE


ACTIVIDADES
O QUE TORNA ARTÍSTICA UMA OBRA?

Por que razão muitos dos objectos que resultam da imaginação e da acção produtiva dos seres humanos não são considerados obras de arte? O que faz com que um determinado objecto (ou acção) seja considerado artístico?
O que aqui está em causa é a possibilidade de dar uma definição de arte. E tal como a criação artística desafia toda e qualquer explicação, a arte também parece desafiar qualquer tentativa de definição (na verdade, dada a pluralidade de artes uma definição válida teria de se aplicar a todas as coisas que dizemos artísticas evidenciando o que têm em comum).
Então o que faz com que uma coisa seja considerada artística e outra não? Apesar da dificuldade várias respostas foram dadas:

a) A verdadeira obra de arte é reconhecível pelo facto de provocar uma emoção estética independente de qualquer interesse ou utilidade prática e completamente diferente das emoções quotidianas e vulgares.
          Em virtude de certas propriedades (organização e harmonia dos elementos, equilíbrio entre as partes e o todo), um objecto pode provocar a referida emoção, que o torna genuinamente artístico. Esta perspectiva transforma a questão «O que é a arte?» na questão «Quando há arte?».
b) A verdadeira obra de arte não tem um propósito específico ou definido: não é um simples meio para um fim, nem edificante ou educativo nem recreativo nem utilitário.

c) A verdadeira obra de arte é aquilo que os artistas, os críticos de arte, os coleccionadores de arte consideram ser tal. Obra de arte é o objecto que as pessoas familiarizadas com arte consideram possuidor de qualidade artística.

Tendo em conta estas perspectivas, analise-as criticamente. Qual delas é a mais aceitável? De que objecções podem ser alvo?
Para eventualmente motivar a sua reflexão leia atentamente o texto seguinte:

«Em 1917 Duchamp, já então artista consagrado, concorreu a uma exposição da Society of the Independent Artists com um urinol intitulado a Fonte e assinado com o nome de R. Mutt. A Society pugnava pela abertura a novas formas de arte e o fito de Duchamp era provocatório. Esperava, com esta obra, pôr em cheque os membros da sociedade colocando-os perante o dilema de aceitar ou não como arte um objecto que não tinha sido feito para ser arte. Era o próprio conceito de arte que estava em jogo. No entanto, a sua expectativa saiu frustrada, porque a Fonte não foi, nessa altura apresentada ao júri. Diz-se que os empregados da Society não identificaram aquele objecto como fazendo parte das obras de arte a serem apreciadas e arrumaram-no na cave. Hoje, a Fonte ocupa um lugar de destaque nos museus de arte contemporânea.

Depois desta sucederam-se permanentemente situações em que o estatuto de obra de arte de um objecto é cada vez mais indeterminado. Em qualquer história de arte contemporânea são obrigatoriamente referidas. Do que se passou entre nós, referimos um exemplo. Em 1977, a exposição de Alberto Carneiro, na Galeria Quadrum, constava de uma única pedra rolada trazida de uma ribeira de Trás-os-Montes.
Depois da exposição, a pedra foi reposta na mesma ribeira.
Enquanto esteve na exposição foi uma obra de arte, depois que foi reposta na mesma ribeira deixou de o ser.» 


Carmo d’Orey, O que é a Arte? ou Quando Há Arte?, Análise, 14, p. 69, 1990

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