terça-feira, 10 de maio de 2011

O SENTIDO DA VIDA - AS DIVERSAS ACEPÇÕES DO TERMO "SENTIDO"

O SENTIDO DA VIDA
AS DIVERSAS ACEPÇÕES DO TERMO "SENTIDO"
 O termo sentido tem vários "significados". Abstraindo das acepções que lhe confere a psicologia: órgãos sensoriais (sentido da vista, do tacto, da audição, etc.), podemos destacar os seguintes:
1 - O sentido como direcção ou finalidade - Fala-se do sentido em termos de orientação no espaço. Assim, quando digo que vou passar férias ao Algarve, posso dizer que vou no "sentido" sul, para o Sul de Portugal. Numa acepção mais abstracta, já não meramente espacial, falamos de direcção como finalidade. Quando nos referimos ao sentido de uma determinada actividade, individual ou social, referimo-nos muitas vezes ao objectivo, ao fim, que a determina, que a inspira: "Para que fazes isto ou aquilo? Em termos mais amplos, também se pergunta pelo sentido - finalidade - da evolução histórica: terá a história uma finalidade que permita dar-lhe um fio condutor ou será um amontoado de factos que se sucedem sem uma direcção definida? Quando perguntamos pelo sentido da existência ou da vida, também nos interrogamos sobre a sua finalidade. Quando se vive sem saber o que se quer, "sem tom nem som", a vida carece de sentido – de finalidade -, falta um objectivo. Problematizar o tema do sentido da vida em termos de finalidade é perguntar: "Para quê viver?"

2 - O Sentido como razão de ser - Muitas vezes, quando dizemos a alguém "Isso não faz sentido", queremos dizer "Isso não tem razão de ser, não tem qualquer fundamento". Deste modo, consideramos que não faz nenhum sentido que chova quando o céu está claro e limpo, sem nuvens. Consideramos totalmente sem sentido que as coisas aconteçam simplesmente porque acontecem i. e., sem uma causa ou razão de ser. As ciências da natureza, por exemplo, na sua tentativa de explicação do comportamento dos fenómenos, baseiam-se no suposto de que a natureza é dotada de sentido, de que há alguma razão de ser para que as coisas se comportem de uma maneira e não de outra. Esta ideia de sentido como racionalidade foi explicitamente expressa por Leibniz (filósofo alemão do século XVIII), mediante aquilo a que chamou "princípio de razão suficiente": "Nada acontece sem uma razão suficiente, i. e., sem que seja possível àquele que conheça suficientemente as coisas dar uma razão que baste para determinar porque é assim e não de outro modo."

3 - O sentido como conexão - Nesta acepção do termo, considera-se que o mundo e a existência têm sentido se os acontecimentos e as coisas constituírem uma rede de relações, se estiverem interligados e não isolados uns dos outros. Tal como uma palavra só adquire significado concreto no contexto de conexões que é constituído pela frase, o comportamento de um indivíduo só é compreensível se atendermos ao meio social, cultural, histórico em que se integra e em certa medida ao património genético que herdou. Parafraseando um filósofo que dizia que "a verdade é o todo", podemos dizer que "o sentido é o todo".

5 - O Sentido como significação - Esta acepção é retirada da linguagem. Assim, dizemos que a cor vermelha do semáforo tem "o sentido de", "significa", passagem proibida durante determinado tempo; que a febre significa gripe. Perante uma palavra ou um signo linguístico desconhecido, perguntamos qual o seu sentido ou significação (o que quer dizer). As coisas e os acontecimentos da nossa existência também podem ser considerados como signos.
Nesta ordem de ideias, o mundo e a vida são as páginas de um grande livro que exige uma leitura atenta para se captar o sentido de cada coisa ou de cada acontecimento. Quando se considera que o grande livro da vida é ininteligível, de leitura impossível, que não temos instrumentos para decifrar o seu significado, ela aparece como carente de sentido, como algo radicalmente absurdo.
4 - O Sentido como valor - Costumamos dizer que algo tem sentido quando "vale a pena", i. e., tem um determinado valor. Sem sentido seria, nesta acepção do termo, "o que não vale nada". Assim, muitas pessoas suicidam- -se porque consideram que a vida não vale a pena e portanto não é preferível à morte, ao "nada". A vida começa a perder sentido (valor) para aquele que pensa: "Não valho nada". Nesta ordem de ideias, o amor, a solidariedade, a fraternidade, que são formas de dizer sim à vida e de considerar os outros como valiosos e importantes, podem transformar a existência numa vivência dotada de sentido i. e., podem contribuir para sua valorização. Gabriel Marcel - filósofo existencialista do século XX - escreveu que amar consiste em dizer "Tu não deves morrer", ou seja, tu és importante.
Estas diferentes acepções do termo "sentido" são as diversas vertentes de um único problema: o sentido da existência humana. Perguntar pelo sentido da vida é questionar para quê viver (finalidade); se viver tem alguma razão de ser, se há um fio condutor da nossa existência (se ela não é um aglomerado de acontecimentos desconexos), se ela vale a pena ou se tem algum significado. Todas estas questões estão intimamente unidas no difícil problema que é indagar, procurar o sentido.

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