sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

FICHAS SOBRE A CARCTERIZAÇÃO DA FILOSOFIA - INICIAÇÃO À ACTIVIDADE FILOSÓFICA


Unidade inicial
         Iniciação à actividade filosófica
           Capítulo 1
          Caracterização da filosofia

Ficha Diagnóstica



Texto

«Tenho vindo a dizê-lo repetidas vezes: trata-se de uma mera vingança da sociedade, mas não traz qualquer solução para os problemas sociais e económicos que levam ao crime. Daí que considere que é inaceitável a pena de morte. De facto, uma tal penalização em nada repara o sofrimento da vida ou da família; (...) em nada simboliza um gesto de humanidade, de amor ao próximo e de fraternidade, cuja carência está, psicologicamente, nas bases de qualquer crime violento. Em nada se pode basear a defesa de tão repugnante, vil, odioso e chocante procedimento como a pena de morte».

Manifesto Anónimo



I.                   O texto afirma que:
a)      Por vezes a pena de morte é um bom recurso.
b)      A pena de morte é um acto intolerável.
c)      A pena de morte é o melhor método a seguir.

R:




II.                Justifique, de acordo com o texto, a resposta que deu à primeira questão.

R:






III.             Concorda com a posição do autor? Qual é a sua posição em relação à pena de morte? Considera ser um acto justo ou injusto? Porquê?  

R:








IV.             Apresente uma justificação simples para a seguinte afirmação:

“Executar um inocente é um erro irreparável.”

R:

Correcção da Ficha Diagnóstica



Texto

«Tenho vindo a dizê-lo repetidas vezes: trata-se de uma mera vingança da sociedade, mas não traz qualquer solução para os problemas sociais e económicos que levam ao crime. Daí que considere que é inaceitável a pena de morte. De facto, uma tal penalização em nada repara o sofrimento da vida ou da família; (...) em nada simboliza um gesto de humanidade, de amor ao próximo e de fraternidade, cuja carência está, psicologicamente, nas bases de qualquer crime violento. Em nada se pode basear a defesa de tão repugnante, vil, odioso e chocante procedimento como a pena de morte».

Manifesto Anónimo



 I - O texto afirma que:
a)      Por vezes a pena de morte é um bom recurso.
b)      A pena de morte é um acto intolerável.
c)      A pena de morte é o melhor método a seguir.

R: b) A pena de morte é um acto intolerável. 




 II - Justifique, de acordo com o texto, a resposta que deu à primeira questão.

R: De acordo com o autor, a pena de morte é um acto intolerável por três razões principais:
A pena de morte não resolve os problemas sociais e económicos que conduzem ao crime.
A aplicação da pena de morte não repara o sofrimento da família.
A pena de morte não traduz um gesto de humanidade e amor para com o próximo (de acordo com a autor, é a escassez desta afectividade que se encontra na origem da prática dos crimes violentos). 


 III - Concorda com a posição do autor? Qual é a sua posição em relação à pena de morte? Considera ser um acto justo ou injusto? Porquê?  

R: Esta resposta seria uma reflexão individual do aluno em relação ao problema da pena de morte. 



 IV - Apresente uma justificação simples para a seguinte afirmação:

“Executar um inocente é um erro irreparável.”

R: Executar um inocente é um erro irreparável, porque, após a aplicação da pena de morte a uma pessoa, inocente ou não, já não se pode voltar atrás, já não se pode restituir a vida a essa pessoa. Aquilo que causa mais perplexidade na aplicação da pena de morte é precisamente quando se vem a saber que a pessoa em causa era afinal inocente. Nesse momento, tomamos ainda mais claramente a consciência do erro que é a aplicação de uma pena deste género.


Ficha Prática 1


O que é a filosofia?

«Cara Sofia! Há muitas pessoas que têm diversos hobbies. Algumas coleccionam moedas antigas ou selos, outras fazem trabalhos manuais, outras ainda dedicam quase todo o tempo livre a uma modalidade desportiva. (...)
Haverá alguma coisa que interesse a toda a gente? Haverá alguma coisa que diga respeito a todas as pessoas, independentemente do que são e do sítio do mundo onde vivem? Sim, cara Sofia, há questões que dizem respeito a todos os homens. (...)
É evidente que todos os homens precisam de comer. Todos precisam de amor e de atenção, mas há algo mais de que todos os homens precisam. Precisamos de descobrir quem somos e por que vivemos.
Interessarmo-nos pela razão da nossa existência não é um interesse ocasional, como o interesse em coleccionar selos. Quem se interessa por tais problemas preocupa-se com tudo aquilo que os homens discutem desde que apareceram neste planeta. A questão acerca da origem do universo, do globo terrestre e da vida é mais vasta e mais importante do que saber quem ganhou mais medalhas de ouro nos últimos Jogos Olímpicos.
A melhor maneira de nos iniciarmos na filosofia é colocar perguntas filosóficas:
Como se formou o mundo? Haverá uma vontade ou um sentido por detrás daquilo que acontece? Haverá vida depois da morte? Como podemos encontrar resposta para estas perguntas? E, acima de tudo, como deveríamos viver? (...)
[...] Cada um deve encontrar as suas respostas para estas perguntas. Não podemos saber se Deus existe ou se há vida depois da morte, consultando a enciclopédia. A enciclopédia não nos diz como devemos viver. Mas ler o que os outros homens (filósofos) pensaram pode no entanto ser uma ajuda, se quisermos formar a nossa própria concepção da vida e do mundo.»

(Adaptado de) GAARDER, J., O Mundo de Sofia, Lisboa,
Editorial Presença, 14.ª Edição, 1998, pp. 17-19. 

Nota I: Para a resposta a todas as questões pode apoiar-se no texto. Pode justificar através de citações do texto ou, se preferir, por palavras suas. No entanto, é sempre preferível e recomendável começar a exercitar as suas justificações por palavras suas. A pergunta 6 não é para fazer em casa, mas na aula.    

Questões:
1.      De acordo com o texto, a filosofia tem tanto interesse como qualquer outra actividade ou tem mais interesse? Porquê?
2.      “As pessoas há dois mil anos não se interessavam pelas questões filosóficas, devido à escassez de meios técnicos para a sua investigação”.
2.1. Concorda com esta afirmação? Justifique.
3.      “As pessoas pensam nas perguntas filosóficas, mas devido à dificuldade de encontrar uma solução para as questões da filosofia, o melhor é aceitarmos uma resposta qualquer e não pensarmos mais nessa questão”.
3.1. Concorda? Justifique a sua resposta. 
4.      “Para respondermos a uma questão filosófica não é importante lermos o que os outros filósofos afirmaram sobre essa questão, desde que já tenhamos uma opinião formada e sólida acerca da resposta à pergunta”.
4.1. Concorda? Porquê?
5.      Enuncie agora, com base no texto, as características que permitem definir a filosofia. Se quiser, pode complementar a sua resposta com outras características que tenha aprendido na aula ou nas suas leituras. 
6.      Atente no seguinte argumento:
Se a filosofia fosse importante, hoje todos nós sabíamos dar a resposta certa a qualquer questão filosófica.
     Ainda não existem respostas certas às questões filosóficas.
     \A filosofia não é importante.    
6.1. Construa um contra-argumento ao argumento anterior. Pretende-se nesta questão que construa um argumento cuja conclusão seja: A filosofia é importante.

Resolução da Ficha Prática 1


O que é a filosofia?

«Cara Sofia! Há muitas pessoas que têm diversos hobbies. Algumas coleccionam moedas antigas ou selos, outras fazem trabalhos manuais, outras ainda dedicam quase todo o tempo livre a uma modalidade desportiva. (...)
Haverá alguma coisa que interesse a toda a gente? Haverá alguma coisa que diga respeito a todas as pessoas, independentemente do que são e do sítio do mundo onde vivem? Sim, cara Sofia, há questões que dizem respeito a todos os homens. (...)
É evidente que todos os homens precisam de comer. Todos precisam de amor e de atenção, mas há algo mais de que todos os homens precisam. Precisamos de descobrir quem somos e por que vivemos.
Interessarmo-nos pela razão da nossa existência não é um interesse ocasional, como o interesse em coleccionar selos. Quem se interessa por tais problemas preocupa-se com tudo aquilo que os homens discutem desde que apareceram neste planeta. A questão acerca da origem do universo, do globo terrestre e da vida é mais vasta e mais importante do que saber quem ganhou mais medalhas de ouro nos últimos Jogos Olímpicos.
A melhor maneira de nos iniciarmos na filosofia é colocar perguntas filosóficas:
Como se formou o mundo? Haverá uma vontade ou um sentido por detrás daquilo que acontece? Haverá vida depois da morte? Como podemos encontrar resposta para estas perguntas? E, acima de tudo, como deveríamos viver? (...)
[...] Cada um deve encontrar as suas respostas para estas perguntas. Não podemos saber se Deus existe ou se há vida depois da morte, consultando a enciclopédia. A enciclopédia não nos diz como devemos viver. Mas ler o que os outros homens (filósofos) pensaram pode no entanto ser uma ajuda, se quisermos formar a nossa própria concepção da vida e do mundo.»

(Adaptado de) GAARDER, J., O Mundo de Sofia, Lisboa,
Editorial Presença, 14.ª Edição, 1998, pp. 17-19. 


Questões:
7.      De acordo com o texto, a filosofia tem tanto interesse como qualquer outra actividade ou tem mais interesse? Porquê?
R: De acordo com o autor do texto, a filosofia tem mais interesse do que qualquer outra actividade. A filosofia tem mais interesse do que outra actividade, porque os problemas que a filosofia coloca são problemas que dizem respeito a todos nós, ao contrário das questões levantadas pelas outras actividades, que não passam de um interesse ocasional. Se as questões que a filosofia apresenta dizem respeito a todos nós, são também, por isso mesmo, mais importantes e pertinentes do que qualquer outra questão relacionada com outra actividade que não a filosofia.

8.      “As pessoas há dois mil anos não se interessavam pelas questões filosóficas, devido à escassez de meios técnicos para a sua investigação”.
2.1. Concorda com esta afirmação? Justifique.
R: Não, não concordo com a afirmação. Desde que o Homem existe, sempre levantou questões de teor filosófico, tais como: Como surgiu a minha espécie? Como surgiu o mundo no qual me encontro? Como surgiu toda a vida que me rodeia?
O Homem sempre questionou a origem da sua existência e a do mundo, tendo procurado ao longo dos tempos respostas para estas questões e outras que entretanto foram aparecendo e para as quais ainda não possui uma resposta verdadeira. Neste sentido, pode afirmar-se que o Homem se identifica com a essência própria da filosofia, que é a da problematização, na medida em que também o Homem se caracteriza por este impulso de questionamento e problematização.
  
9.      “As pessoas pensam nas perguntas filosóficas, mas devido à dificuldade de encontrar uma solução para as questões da filosofia, o melhor é aceitarmos uma resposta qualquer e não pensarmos mais nessa questão”.
3.1. Concorda? Justifique a sua resposta.
R: Não concordo com a afirmação. É certo que é difícil encontrar respostas verdadeiras para as questões da filosofia, mas é precisamente esta característica da Filosofia que a torna uma ciência mais apaixonante e viva. Por outro lado, se todas as respostas às questões da filosofia fossem encontradas, a filosofia deixaria de fazer qualquer sentido. Aceitar uma resposta qualquer torna-se, por isso, antifilosófico, porque a filosofia caracteriza-se por esse esforço reflexivo em encontrar respostas verdadeiras para os seus problemas e não em aceitar de um modo passivo uma resposta qualquer para o problema que continua por solucionar.
 
10.  “Para respondermos a uma questão filosófica não é importante lermos o que os outros filósofos afirmaram sobre essa questão, desde que já tenhamos uma opinião formada e sólida acerca da resposta à pergunta”.
4.1. Concorda? Porquê?
R: Não, não concordo com a afirmação. Para procurarmos responder a uma questão filosófica é imprescindível apoiarmo-nos nas respostas e argumentos já dados por filósofos a essa mesma questão. Por que razão é isso importante? A primeira razão tem a ver com o facto de a nossa resposta e justificação a essa resposta já poder ter sido dada por outro filósofo. Se isso acontecesse, apercebíamo-nos de que apenas estivemos a perder tempo a tentar responder a essa questão. A segunda razão tem a ver com o facto da resposta e argumentação apresentada por um filósofo poder ser uma base ou ponto de partida para a nossa resposta. A partir de uma resposta dada por um filósofo a essa mesma questão, podemos reconstruí-la e melhorá-la nos seus aspectos menos bons ou mais passíveis de críticas, podendo deste modo ter a possibilidade de apresentar argumentos fortes de justificação à nossa resposta. A terceira razão tem a ver com o facto de a nossa experiência individual ser insuficiente para podermos responder a uma determinada questão filosófica e justificá-la de forma razoável. Se a nossa experiência individual fosse suficiente para elaborarmos respostas certas para os problemas filosóficas, então os filósofos que procuraram responder a algumas das questões filosóficas não perderiam tempo a ler e analisar as respostas dadas por outros filósofos.     

11.  Enuncie agora, com base no texto, as características que permitem definir a filosofia. Se quiser, pode complementar a sua resposta com outras características que tenha aprendido na aula ou nas suas leituras. 
R: Algumas características da filosofia:
A filosofia é uma disciplina que procura responder a um conjunto determinado de problemas.
A resposta a estes problemas não se encontra na experiência empírica.
A tentativa de solução dos problemas filosóficos apenas pode advir do debate reflexivo, argumentativo e crítico.
As teorias são as tentativas de resposta aos problemas filosóficos.
Os argumentos procuram justificar as teorias filosóficas.

12.  Atente no seguinte argumento:
Se a filosofia fosse importante, hoje todos nós sabíamos dar a resposta certa a qualquer questão filosófica.
     Ainda não existem respostas certas às questões filosóficas.
     \A filosofia não é importante.    
6.1. Construa um contra-argumento ao argumento anterior. Pretende-se nesta questão que construa um argumento cuja conclusão seja: A filosofia é importante.
R: Se a filosofia não é importante, então não ajuda o indivíduo a pensar de forma correcta e rigorosa acerca dos vários problemas.
A filosofia ajuda o indivíduo a pensar de forma correcta e rigorosa acerca dos vários problemas.
      \ A filosofia é importante.




Ficha Prática 2

Leia o texto e as respectivas perguntas com atenção.


Texto


“A filosofia é diferente da ciência e da matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações nem na observação, mas apenas no pensamento. E, ao contrário da matemática, não tem métodos formais de prova. A filosofia faz-se colocando questões, argumentando, ensaiando ideias e pensando em argumentos possíveis contra elas e procurando saber como funcionam realmente os nossos conceitos.
A preocupação fundamental da filosofia consiste em questionarmos e compreendermos ideias muito comuns que usamos todos os dias sem pensarmos nelas. Um historiador pode perguntar o que aconteceu em determinado momento do passado, mas um filósofo perguntará: “O que é o tempo?” Um matemático pode investigar as relações entre os números, mas um filósofo perguntará: “O que é um número?” Um físico perguntará de que são constituídos os átomos ou o que explica a gravidade, mas um filósofo irá perguntar como podemos saber que existe qualquer coisa fora das nossas mentes. Um psicólogo pode investigar como é que as crianças aprendem uma linguagem, mas um filósofo perguntará: “Que faz uma palavra significar qualquer coisa?” Qualquer pessoa pode perguntar se entrar num cinema sem pagar está errado, mas um filósofo perguntará: “O que torna uma acção certa ou errada?”
Não poderíamos viver sem tomarmos como garantidas as ideias de tempo, número, conhecimento, linguagem, certo e errado, a maior parte do tempo, mas em filosofia investigamos essas mesmas coisas. O objectivo é levar o conhecimento do mundo e de nós um pouco mais longe. É óbvio que não é fácil. Quanto mais básicas são as ideias que tentamos investigar, menos instrumentos temos para nos ajudarem. Não há muitas coisas que possamos assumir como verdadeiras ou tomar como garantidas. Por isso, a filosofia é uma actividade de certa forma vertiginosa, e poucos dos seus resultados ficam por desafiar por muito tempo.”

NAGEL, Thomas, Que Quer Dizer Tudo Isto? Uma Iniciação à Filosofia, Lisboa, Gradiva, Filosofia Aberta, 1.ª Edição (2.ª tiragem), 1997, pp. 8-9. 


Questões relacionadas com o texto:

1 – Quais as razões apresentadas pelo autor para distinguir a filosofia da ciência e da matemática?

2 – “A filosofia levanta questões sobre as quais nunca reflectimos ao longo da nossa vida.” Concorda? Justifique.

3 – “As questões que o matemático, o físico e o psicólogo investigam são as mesmas que o filósofo analisa.” Concorda? Justifique.

4 – Enuncie dois problemas filosóficos não mencionados pelo autor.


Questões não directamente relacionadas com o texto

5 – Quais os três elementos centrais sem os quais não era possível fazer filosofia?

6 – Enuncie algumas características da metodologia de investigação filosófica.

7 – “A solução para os problemas filosóficos encontra-se na experiência empírica.” Concorda? Justifique.

8 – “Ainda não se verificou até ao presente qualquer progresso na filosofia, porque não se obteve qualquer conhecimento acerca das questões da filosofia.”
      Concorda com a afirmação? Justifique.

Resolução da Ficha Prática 2



Questão 1

A ciência baseia a sua metodologia de investigação na experimentação e na observação.
A filosofia desenvolve a sua metodologia com base na reflexão.
A matemática tem métodos formais de prova.
A filosofia não tem métodos formais de prova.
A filosofia inicia-se colocando determinadas questões.
A filosofia desenvolve-se através da argumentação, do debate e discussão de ideias, da contra-argumentação e da clarificação de conceitos.

Questão 2

Não, todas as pessoas já pensaram pelo menos uma vez numa ou em algumas das questões tipicamente filosóficas. Exemplos de algumas dessas questões: Será que Deus existe? Se Deus existe, como é possível compatibilizar o mal que há no mundo com a Sua existência? Será a pena de morte um acto moralmente aceitável? E a eutanásia? Será o Direito a expressão do poder de alguns? Quais os limites do poder do Estado?
As questões da filosofia são questões originais ou primeiros princípios que norteiam a nossa existência, são as questões a partir das quais construímos e defendemos as nossas ideias mais básicas que vão moldar de forma decisiva o nosso modo de vida.
Infelizmente, a maior parte das pessoas não reflecte acerca dessas questões, não procura encontrar uma resposta pessoal para elas, aceitando antes de forma acrítica a opinião generalizada dos outros, situação que se revela extremamente empobrecedora e de consequências perniciosas para a vida de todos nós quando se tem de tomar decisões, sejam elas individuais ou institucionais. 

Questão 3   
Não, as questões que o filósofo analisa não são as mesmas que o matemático, o físico e o psicólogo investigam. O matemático procura averiguar “as relações entre os números”, aplicando “métodos formais de prova” para resolver os problemas que se lhe coloca, o físico levanta questões como “Quais as propriedades que constituem os átomos?” ou “O que explica a gravidade?”, as quais encontram a sua resposta na experiência empírica, o psicólogo procura explicar por exemplo “Como é que as crianças aprendem uma linguagem?” e a resposta a esta interrogação resulta também da experiência.
Verificamos logo uma diferença entre as questões que o filósofo analisa e aquelas que são analisadas pelo físico e pelo psicólogo: é que estas últimas têm a sua solução na experiência empírica. Por último, as questões que o matemático se coloca são resolvidas através de “métodos formais de prova”, enquanto o filósofo não tem estes mesmos “métodos” utilizados pelo matemático para responder às suas interrogações.
O filósofo apenas pode responder às suas questões através da argumentação reflexiva e crítica, do debate e discussão de ideias, da análise e construção de novos argumentos.

Questão 4                                 
Dois problemas filosóficos não mencionados pelo autor são, por exemplo “O que é a arte?” e “Será que existem critérios seguros para distinguirmos as aparências da realidade?”. 

Questão 5

Os três elementos centrais sem os quais não era possível fazer filosofia são os problemas, as teorias e os argumentos.

Questão 6

O método da filosofia não é empírico e, por isso, distingue-se do método de investigação da ciência.
O método filosófico é argumentativo, lógico, crítico e consequente.
O método filosófico possibilita a discussão dos argumentos apresentados pelos filósofos.
O método filosófico analisa e clarifica conceitos tipicamente filosóficos. Exemplos: bem, mal, Deus, verdade, realidade, mente, inferência, corpo, felicidade,...
A natureza do método de investigação filosófico possibilita o progresso da própria filosofia, pela análise, crítica e construção de novos argumentos face aos apresentados pelos filósofos.

Questão 7

Não, a solução para os problemas filosóficos não se encontra na experiência empírica. Existem, no entanto, problemas cuja solução não se encontra na experiência empírica e que não são problemas filosóficos, como os problemas da matemática.
O tratamento e análise dos problemas é que permite distinguir a filosofia da matemática. Enquanto a matemática aplica “métodos formais de prova” para responder aos seus problemas, as respostas aos problemas filosóficos resultam da discussão argumentativa e crítica, da construção de novos argumentos aos apresentados pelos filósofos.
A filosofia apenas avança e progride com base nesta metodologia de investigação.

Questão 8
Não, houve certamente progresso em filosofia. A própria natureza do método filosófico possibilita esse progresso da filosofia, na crítica e construção de novos argumentos face aos apresentados pelos filósofos. É certo que muitas das questões que os filósofos gregos se colocavam continuam sem uma resposta certa ou conclusão definitiva, mas isso não significa que não tenha havido progresso na filosofia. Algumas dos argumentos dados pelos filósofos gregos até aos nossos dias a determinados problemas foram rejeitados, outros foram alterados e melhorados e outros continuam sem grandes alterações, o que revela o progresso da filosofia na melhoria das respostas aos problemas colocados, na maior aproximação à verdade das coisas.

Ficha Prática 3


O valor da filosofia

«O valor da filosofia encontra-se, de facto, na sua própria incerteza. O homem sem rudimentos de filosofia passa pela vida encarcerado nos preconceitos derivados do senso comum, das crenças habituais do seu tempo ou da sua nação, e de convicções que se desenvolveram no seu espírito sem a cooperação ou o consentimento da sua razão ponderada. Para tal homem, o mundo tem tendência a tornar-se definido, finito, óbvio; os objectos comuns não levantam questões, e as possibilidades estranhas são desdenhosamente rejeitadas.
Mal começamos a filosofar, pelo contrário, descobrimos (...) que até as coisas mais corriqueiras levantam problemas a que só podemos dar respostas muito incompletas. A filosofia, apesar de ser incapaz de nos dizer com certeza qual é a resposta verdadeira às dúvidas que levanta, tem a capacidade de sugerir muitas possibilidades que alargam os nossos pensamentos e os libertam da tirania do hábito. Assim, apesar de diminuir a nossa sensação de certeza quanto ao que as coisas são, a filosofia aumenta em muito o nosso conhecimento do que podem ser; elimina o dogmatismo algo arrogante daqueles que nunca viajaram no território da dúvida libertadora, e mantém vivo o nosso sentido de deslumbramento ao mostrar coisas familiares sob um aspecto estranho.»

RUSSELL, Bertrand, Os Problemas da Filosofia, 1912, p. 90. 




Questões:

  1. De acordo com o autor, qual é o valor da filosofia?

Que razões nos dá o autor para aceitar esta sua ideia?

Resolução da Ficha Prática 3


O valor da filosofia

«O valor da filosofia encontra-se, de facto, na sua própria incerteza. O homem sem rudimentos de filosofia passa pela vida encarcerado nos preconceitos derivados do senso comum, das crenças habituais do seu tempo ou da sua nação, e de convicções que se desenvolveram no seu espírito sem a cooperação ou o consentimento da sua razão ponderada. Para tal homem, o mundo tem tendência a tornar-se definido, finito, óbvio; os objectos comuns não levantam questões, e as possibilidades estranhas são desdenhosamente rejeitadas.
Mal começamos a filosofar, pelo contrário, descobrimos (...) que até as coisas mais corriqueiras levantam problemas a que só podemos dar respostas muito incompletas. A filosofia, apesar de ser incapaz de nos dizer com certeza qual é a resposta verdadeira às dúvidas que levanta, tem a capacidade de sugerir muitas possibilidades que alargam os nossos pensamentos e os libertam da tirania do hábito. Assim, apesar de diminuir a nossa sensação de certeza quanto ao que as coisas são, a filosofia aumenta em muito o nosso conhecimento do que podem ser; elimina o dogmatismo algo arrogante daqueles que nunca viajaram no território da dúvida libertadora, e mantém vivo o nosso sentido de deslumbramento ao mostrar coisas familiares sob um aspecto estranho.»

RUSSELL, Bertrand, Os Problemas da Filosofia, 1912, p. 90. 




Questões:

  1. De acordo com o autor, qual é o valor da filosofia?
R: De acordo com o autor, o valor da filosofia é o da sua incerteza.

  1. Que razões nos dá o autor para aceitar esta sua ideia?
R: O autor justifica o valor da incerteza na filosofia, apresentando as seguintes razões: a filosofia a partir da dúvida alarga os nossos pensamentos; ao alargar os nossos pensamentos aumenta os nossos conhecimentos; ao aumentar os nossos conhecimentos possibilita que se questionem os nossos preconceitos e convicções.  

  1. Concorda com o autor acerca do valor da filosofia? Justifique.
R: NOTA: Esta resposta seria uma resposta individual do aluno, podendo este concordar ou não. No entanto, se o aluno não concordasse, teria de apresentar uma boa justificação, porque as razões apresentadas pelo autor acerca do valor da filosofia são fortes razões para que as aceitemos.

  1. «A filosofia não tem valor porque não nos faculta respostas para as suas questões.» Concorda? Justifique.
R: Não concordo com a afirmação apresentada. Se o valor da filosofia dependesse da sua capacidade para nos fornecer respostas verdadeiras para as suas questões, então a filosofia certamente não teria qualquer valor. O valor da filosofia encontra-se na possibilidade que nos oferece em tomarmos uma posição face aos vários problemas a que procura dar uma resposta (a partir das respostas já dadas a esses mesmos problemas), problemas que dizem respeito a todos nós e que afectam de uma maneira ou de outra a nossa vida e o modo como a encaramos. Este aumento de conhecimento e de exercício crítico no indivíduo torna-se essencial para a sua postura na sociedade, para a sua afirmação como cidadão responsável e atento aos problemas que o rodeiam.  



Ficha Prática 4
(ficha de resumo dos conteúdos leccionados)


Texto

«A filosofia é uma actividade [não empírica]: é uma forma de pensar acerca de certas questões, [como por exemplo, será que Deus existe? O que é a realidade? Será a pena de morte moralmente aceitável?]. A sua característica mais marcante é o uso de argumentos (...). A actividade dos filósofos é, tipicamente, argumentativa: ou [constroem] (...) argumentos, ou criticam os argumentos de outras pessoas ou fazem as duas coisas. Os filósofos (...) analisam e clarificam conceitos».


N. WARBURTON, Elementos Básicos de Filosofia, pp. 19-20.


Questões:

1 – Do excerto anterior, retire os elementos essenciais que caracterizam a filosofia. Pode acrescentar outros que tenha aprendido nas aulas ou nas suas leituras. 
2 – Com base naquilo que já aprendeu em relação ao método da filosofia, será que fazer filosofia é limitar-se a repetir aquilo que os filósofos afirmaram? Justifique.
3 – Refira alguns aspectos que tenha aprendido acerca da utilidade (ou importância) da filosofia para a nossa vida.


Resolução da Ficha Prática 4
(ficha de resumo dos conteúdos leccionados)


Texto

«A filosofia é uma actividade [não empírica]: é uma forma de pensar acerca de certas questões, [como por exemplo, será que Deus existe? O que é a realidade? Será a pena de morte moralmente aceitável?]. A sua característica mais marcante é o uso de argumentos (...). A actividade dos filósofos é, tipicamente, argumentativa: ou [constroem] (...) argumentos, ou criticam os argumentos de outras pessoas ou fazem as duas coisas. Os filósofos (...) analisam e clarificam conceitos».


N. WARBURTON, Elementos básicos de Filosofia, pp. 19-20.



Questões:

1 – Do excerto anterior, retire os elementos essenciais que caracterizam a filosofia. Pode acrescentar outros que tenhas aprendido nas aulas ou nas suas leituras. 
R: A filosofia caracteriza-se por ser uma actividade não empírica. Isso significa que as respostas para os problemas da filosofia não se encontram na experiência empírica. A filosofia obtém respostas para os seus problemas a partir do debate argumentativo e crítico. É com base nesta metodologia de investigação que a filosofia progride, procurando encontrar respostas mais capazes para os problemas.
A filosofia caracteriza-se e desenvolve-se a partir de três aspectos fundamentais: problemas, teorias e argumentos. Os problemas da filosofia possuem uma natureza específica (porque a resposta a esses problemas não se encontra na experiência empírica). As teorias são uma tentativa de resposta a esses mesmos problemas. Os argumentos procuram, por sua vez, justificar as teorias. 

2 – Com base naquilo que já aprendeu em relação ao método da filosofia, será que fazer filosofia é limitar-se a repetir aquilo que os filósofos afirmaram? Justifique.
R: Fazer filosofia não é limitar-se a repetir aquilo que os filósofos afirmaram. Se a tarefa da filosofia fosse apenas a de repetir fórmulas feitas, então a filosofia perderia todo o seu valor e não poderia progredir. Como refere o autor, a tarefa do filósofo é essencialmente argumentativa: assenta na construção de novos argumentos (construção essa que pode ou não derivar de uma crítica a argumentos apresentados anteriormente). 

3 – Refira alguns aspectos que tenha aprendido acerca da utilidade (ou importância) da filosofia para a nossa vida.
R: A filosofia é útil para a nossa vida por várias razões. Apresento de seguida algumas delas:
A filosofia melhora o nosso raciocínio e aumenta a nossa capacidade crítica (isto é importante, porque ajuda-nos a pensar melhor e a sermos críticos em relação aos outros e a nós mesmos).
A filosofia torna-nos mais atentos ou sensíveis aos problemas do quotidiano das nossas sociedades actuais (contribuindo assim para um alerta da comunidade em relação a esses mesmos problemas).
A filosofia possibilita uma melhor justificação das instituições nacionais e internacionais (questionando os fundamentos em que essas mesmas instituições assentam).     









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