terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

FILMES SOBRE O PROBLEMA DO DETERMINISMO E DA LIBERDADE 1 - CORRE, LOLA, CORRE


FILME 1

CORRE, LOLA, CORRE
  

Título Original: Lola Rennt
País de Origem:
Alemanha
Ano: 1998
Duração: 81 minutos
Realização: Tom Tickwer
Elenco: Franka Potente, Moritz Bleibreu, Herbert Knaup, Armin Rohde, Joacim Krol, Nina Petri

SINOPSE
Lola é filha de um banqueiro, de família desestruturada e com um namorado que, digamos, atrai sarilhos. Manni é um fora-da-lei e está num péssimo dia. O chefe da sua quadrilha confia - lhe a quantia de 100 mil marcos. Azarado como é, o rapaz perde o dinheiro após uma pequena peripécia no metro. Sem o dinheiro e tendo de prestar contas ao seu chefe, Manni planeia assaltar uma loja. É meio-dia e quarenta… Manni irá executar o assalto dali a vinte minutos - a menos que Lola chegue ao local antes desse horário. Lola tem apenas 20 minutos para salvar o seu namorado. Enquanto Manni tenta encontrar coragem para assaltar um supermercado, Lola corre em busca da ajuda do seu pai, que trabalha num banco. Nas ruas, Lola encara uma surpreendente corrida contra o tempo em que um simples tropeção pode mudar radicalmente o final da história.
Será que o plano vai dar certo? É mais ou menos nesse ritmo que a história é conduzida, cheia de momentos electrizantes
DESCRIÇÃO E COMENTÁRIO
Tom Tykwer, director e argumentista, transforma o filme num surpreendente conjunto de coincidências e acasos. Por exemplo: quando há um acidente aéreo sempre aparecem pessoas a dizer aos jornalistas em tom dramático: “Nasci de novo, era para estar naquele voo mas o meu filho sentiu - se mal e tive que adiar a viagem”. Tykwer usa esses pequenos detalhes do quotidiano para elaborar o seu enredo. O famoso “e se” é a tónica do filme (e também a sua própria mensagem). Se Manni não tivesse apanhado o metro nada teria acontecido com o dinheiro, ou teria? Se Lola tivesse comprado a bicicleta talvez ela conseguisse evitar uma tragédia.
O     filme é dividido em «três tentativas” de Lola para conseguir o  
dinheiro. Em cada uma das partes faz praticamente o mesmo trajecto, com uma pequena   diferença no tempo, mas que faz toda a diferença no enredo. Essa é a  
mensagem do filme.    A vida humana está à mercê de casualidades, como tropeçar e perder um  segundo da caminhada pode salvar alguém de, por exemplo, ser atropelado na próxima esquina.
No final de cada um dos enredos há um flashback em que Manni e Lola  conversam sobre relações, tanto as suas quanto as relações em geral. Através destes  momentos, onde se pode conhecer mais a psicologia de cada personagem,  a trama volta novamente ao início e Lola volta a correr. As três histórias, que podem ser “paralelas” ou independentes, não servem para o espectador “escolher”qual a que mais lhe convém ou agrada. Servem para nos fazer pensar sobre as escolhas que fazemos, as diferentes atitudes e comportamentos que podemos  ter sob as mesmas circunstâncias e o peso que a casualidade e o acaso têm nas nossas vidas.  

1.O telefone toca. É Manni. Está metido em sarilhos, grandes sarilhos. Esqueceu – se de um saco com 100.000 marcos no metro mas um vagabundo deitou – lhe a mão antes que Manni pudesse reencontrá – lo. Ronnie, o chefe do gangue a que Manni pertence exige que o dinheiro resultante de assaltos e roubos – sobretudo de carros – lhe seja devolvido em 20 minutos. Se Manni contar a Ronnie que perdeu o dinheiro cuja guarda este lhe confiara será morto. Manni não planeara apanhar o metro. Esperava que a sua namorada Lola o viesse buscar mas não apareceu. E faltou ao encontro porque foi roubada. À pressa apanhou um táxi mas o taxista enganou – se no caminho. Ao receber a chamada telefónica de Manni, Lola diz – lhe para se manter perto da cabine telefónica. Promete – lhe que vai conseguir os 100.000 marcos antes dele se ter de encontrar com Ronnie. Manni não acredita que Lola consiga. Diz – lhe que pretende assaltar uma grande mercearia do outro lado da rua para arranjar o dinheiro. Lola suplica – lhe que se mantenha junto da cabine telefónica. Em vinte minutos trar – lhe – à o dinheiro. Manni promete que o fará.
Lola decide pedir o dinheiro emprestado ao seu pai, um banqueiro rico. Passa pela mãe descendo as escadas do apartamento em que moram. Corre rua abaixo. E corre e corre. Embate numa senhora que passeia um bebé. Atravessa uma ponte. Quatro quarteirões. Corre para salvar a vida de Manni. Passa por um grupo de freiras e por um rapaz em bicicleta. Faltam dez minutos. Só para um momento para solicitar ao segurança do banco que possa entrar. Desce o corredor em direcção ao gabinete do pai. Interrompe uma discussão entre o pai e a secretária – não é uma discussão de negócios. O pai não pode disponibilizar os 100.000 marcos. Além disso nem faz a mínima ideia de que seja Manni. Acompanha Lola à porta e despede – se dela.
Lola está angustiada. São 11: 57. Recomeça a corrida. Desta vez mais rápida do que antes. Passa uma ambulância que quase acerta numa vidraça transportada por operários. Manni encaminha – se lentamente para a mercearia que decidiu assaltar. Pára. Lola surge na esquina da rua e vendo Manni grita «Espera!». Ele não a ouve. Dando um disparo de aviso, manda que toda a gente na loja se atire ao chão e permaneça quieta e calada. «O dinheiro para cá!» grita impaciente e sucessivamente aos empregados que estão nas caixas. Lola aparece à entrada da loja. Olham – se rapidamente. Manni pergunta – lhe se quer ajudá – lo. Entrando na loja, Lola derruba o segurança e apodera – se da sua arma. Saiem da loja com o dinheiro mas dão com uma barricada de polícias. Não têm para onde fugir. Num gesto de derrota e de desalento, Manni atira o dinheiro ao ar na direcção da polícia. Surpreendidos, os polícias começam a disparar. Uma bala atinge o peito de Lola. O impacto da bala faz com que o seu corpo seja projectado. Cai e Manni ajoelha – se inclinando – se sobre o seu corpo. Prestes a dar o último suspiro, relembra uma conversa que teve com Manni. Queria saber se este realmente a amava. Desconfiado, ele perguntara se ela não estava a pensar deixá – lo. Lola respondera «Não tenho a certeza. Mas preciso de tomar uma decisão quanto à nossa relação». Com sangue a sair da sua boca e prestes a morrer, Lola sussurra: «Mas eu não quero ir embora! Pára».
2.O telefone toca. É Manni. Está metido em sarilhos, grandes sarilhos. Esqueceu – se de um saco com 100.000 marcos no metro mas um vagabundo deitou – lhe a mão antes que Manni pudesse reencontrá – lo. Ronnie, o chefe do gangue a que Manni pertence exige que o dinheiro resultante de assaltos e roubos – sobretudo de carros – lhe seja devolvido em 20 minutos. Se Manni contar a Ronnie que perdeu o dinheiro cuja guarda este lhe confiara será morto. Manni não planeara apanhar o metro. Esperava que a sua namorada Lola o viesse buscar mas não apareceu. E faltou ao encontro porque foi roubada. À pressa apanhou um táxi mas o taxista enganou – se no caminho. Ao receber a chamada telefónica de Manni, Lola diz – lhe para se manter perto da cabine telefónica. Promete – lhe que vai conseguir os 100.000 marcos antes dele se ter de encontrar com Ronnie. Manni não acredita que Lola consiga. Diz – lhe que pretende assaltar uma grande mercearia do outro lado da rua para arranjar o dinheiro. Lola suplica – lhe que se mantenha junto da cabine telefónica. Em vinte minutos trar – lhe – à o dinheiro. Manni promete que o fará.
Lola decide pedir um empréstimo ao seu pai. Talvez consiga convencê – lo a tirar dinheiro das poupanças que estão no nome dela. A correr passa pela mãe e desce as escadas do prédio em que mora. No corredor de entrada do prédio um rapaz de forma maldosa prega – lhe uma rasteira. Lola acaba por cair já fora do prédio. Levanta – se e corre rua abaixo.  E corre e corre. Embate numa senhora que passeia um bebé. Atravessa uma ponte. Quatro quarteirões. Corre para salvar a vida de Manni. Passa por um grupo de freiras e por um rapaz em bicicleta. Faltam dez minutos. Embate num vagabundo que carrega várias malas. Pára por alguns momentos solicitar ao segurança do banco que possa entrar. Desce o corredor em direcção ao gabinete do pai. Interrompe uma discussão entre o pai e a secretária – não é uma discussão de negócios. O pai diz – lhe que não pode arranjar os 100.000 marcos. De forma rude, diz – lhe para sair. Lola sai furiosa.
Dirige – se apressadamente à entrada do banco e consegue de surpresa tirar arma ao segurança do banco. Dirige – se de novo para o gabinete do pai e faz dele um refém. No interior do banco exige que lhe sejam dados os 100.00 marcos num saco de plástico. Mas de momento só estão disponíveis oitenta e oito mil marcos. Ordena ao caixa que vá arranjar os restantes doze mil. Rapidamente cumprem a sua vontade. Lola sai rapidamente do banco atirando a arma para um caixote no interior do banco. Ao sair dá com uma barricada de polícias. Prestes a render – se e a entregar o dinheiro, fica surpreendida porque a polícia julga que ela não é a assaltante. Colocam – na em segurança e esperam julgando que o autor do assalto irá sair do banco.
Lola corre outra vez. São 11: 57. Uma ambulância passa a grande velocidade e destrói uma enorme vidraça transportada por operários. Manni aparece á entrada da mercearia que pretende assaltar. Lola surge na esquina da rua e ao vê – lo grita: «Espera!». Ouvindo a sua voz, Manni começa a atravessar a rua na sua direcção. Contudo, a meio da rua, é violentamente atropelado pela já referida ambulância. Lola ajoelha – se junto do seu corpo. Prestes a dar o último suspiro, relembra uma conversa que teve com Lola. Perguntara – lhe: «O que farias se eu morresse?». «Eu salvar – te – ia» respondeu Lola. Manni insistiu: «Mas se não pudesses? É evidente que chorarias e lamentarias a minha morte durante algum tempo mas depois irias esquecer – me e encontrar outra pessoa».
Acariciando os cabelos de Manni enquanto o sangue começa a sair da boca e do nariz deste Lola parece adivinhar os seus últimos pensamentos e grita «Não!».
3.O telefone toca. É Manni. Está metido em sarilhos, grandes sarilhos. Esqueceu – se de um saco com 100.000 marcos no metro mas um vagabundo deitou – lhe a mão antes que Manni pudesse reencontrá – lo. Ronnie, o chefe do gangue a que Manni pertence exige que o dinheiro resultante de assaltos e roubos – sobretudo de carros – lhe seja devolvido em 20 minutos. Se Manni contar a Ronnie que perdeu o dinheiro cuja guarda este lhe confiara será morto. Manni não planeara apanhar o metro. Esperava que a sua namorada Lola o viesse buscar mas não apareceu. E faltou ao encontro porque foi roubada. À pressa apanhou um táxi mas o taxista enganou – se no caminho. Ao receber a chamada telefónica de Manni, Lola diz – lhe para se manter perto da cabine telefónica. Promete – lhe que vai conseguir os 100.000 marcos antes dele se ter de encontrar com Ronnie. Manni não acredita que Lola consiga. Diz – lhe que pretende assaltar uma grande mercearia do outro lado da rua para arranjar o dinheiro. Lola suplica – lhe que se mantenha junto da cabine telefónica. Em vinte minutos trar – lhe – à o dinheiro. Manni promete que o fará.
Lola decide pedir um empréstimo ao seu pai. Talvez consiga convencê – lo a tirar dinheiro das poupanças que estão no nome dela. A correr, passa pela mãe e desce as escadas do prédio em que mora. No corredor de entrada do prédio evita que um rapaz maldoso lhe pregue uma rasteira. Corre rua abaixo. E corre e corre. Por pouco não embate numa senhora que passeia um bebé. Atravessa uma ponte. Quatro quarteirões. Corre para salvar a vida de Manni. Passa por um grupo de freiras e por um rapaz em bicicleta. Faltam dez minutos. Um vagabundo bem vestido passa por ela numa boa bicicleta.
O pai de Lola não está no gabinete do banco. Saiu de carro com um colega provavelmente para uma reunião de negócios. O bem vestido vagabundo passa por Manni de bicicleta junto à cabine telefónica onde este espera por Lola. De repente, ao olhar para a bicicleta Manni repara no saco com dinheiro que perderas no metro. Reconhece o vagabundo e corre atrás dele. Provocam um acidente de automóvel que causa graves ferimentos ao pai de Lola.
Lola continua a correr. Pára em frente a um casino. Desesperada decide tentar a sua sorte. É tão bem sucedida que para espanto dos outros jogadores consegue ganhar mais de 100.000 marcos.
São 11:57. Lola corre para a cabine telefónica. Entretanto, Manni apanha o vagabundo e apontando – lhe a arma recupera o dinheiro que perdera. Passa uma ambulância que quase acerta numa vidraça transportada por operários. Agarrando – se à parte traseira da ambulância, Lola decide apanhar uma boleia. Paramédicos estão atentar reanimar um ferido. Lola segura a sua mão. Ele recupera. Lola salta Ada ambulância ao meio dia em ponto. Manni desapareceu. Lola procura – o. Encontra – o no fim da rua na companhia de Ronnie. Com ar aliviado, Manni afasta – se de Ronnie e aproxima – se de Lola. Beija – a e pergunta – lhe «O que te aconteceu? Vieste a correr?».

ACTIVIDADES SOBRE O FILME
1.Faça um resumo do filme.
Manni foi contratado para entregar uma encomenda e receber o pagamento. Contudo, nervoso com a presença de um fiscal no metro, fugiu, esquecendo a sacola no banco. Vê que um mendigo a apanha.
Desesperado, Manni telefona à sua namorada Lola e conta que o seu chefe Ronnie, um mafioso, lhe deu 20 minutos para conseguir reaver os 100.000 marcos que estavam na sacola. Dentro da cabina telefónica, Manni olha para o supermercado em frente e diz a Lola que a sua única esperança é assaltá-lo. Lola tenta convencê-lo a não o fazer, mas Manni está em pânico.
Lola desliga o telefone e pensa nas pessoas que poderiam ajudá-la, acabando por optar pelo pai, que trabalha num banco. A partir de agora, ela tem menos de 20 minutos para conseguir o dinheiro e evitar que Manni faça um grande disparate.
Este é o argumento básico. Existem vários desfechos possíveis, mas apenas um vai se realizar satisfatoriamente.
Começa a corrida. Lola passa pela mãe que está a tagarelar ao telefone. Desce as escadas e quase leva uma dentada do cachorro do vizinho. Nas ruas de Berlim, tem que vencer diversos obstáculos até chegar ao banco. Numa esquina passa pelo mendigo que ficou com o dinheiro.
Não conseguindo a totalidade do dinheiro, corre para o supermercado onde Manni já começou o assalto. Lola decide ajudá-lo, agredindo um segurança que pretendia atacar Manni por trás e tem que aprender a destravar a pistola.
Roubam o dinheiro das caixas registadoras e saem do supermercado. Mas, pouco depois, deparam - se com vários carros de polícia. Cercados, rendem – se. Num gesto de frustração, Manni atira o saco do dinheiro ao ar. Um polícia interpreta mal o acto, descontrola - se e atira.
Bang! Lola está morta. Here we go again… ou quase.
Na segunda “versão”, Lola evita o cachorro, mas o vizinho põe o pé na frente e ela tropeça, rolando pela escada abaixo. Começa a corrida com a perna ferida. Em compensação, no banco, já sabe mexer na pistola. Faz do seu pai refém e consegue todo o dinheiro. Porém, ao encontrar Manni, faz com que este se distraia e seja atropelado por uma ambulância!
Crash! Manni está morto. And now for something different….
Na terceira “versão”, Lola salta vários lances da escada, evitando o cachorro e o seu dono. Desvia - se de quase todos os obstáculos. Porém, não encontra o seu pai no banco. Na corrida até ao supermercado que Manni se prepara para assaltar em desespero de causa, avista um casino. Aposta o pouco que tem e ganha os 100.000 marcos no número 20 da roleta.
Enquanto isso, Manni cruza - se numa esquina com o mendigo, que comprou a bicicleta de um rapaz do qual Lola se desviara na primeira e na segunda “versão”. Agora, para variar, começa a corrida de Manni atrás do mendigo de bicicleta! Manni consegue fazê-lo parar apontando a arma. O mendigo entrega a sacola sem resistência, apenas pedindo algo em troca. Manni entrega-lhe a pistola e corre de volta para o ponto de encontro com Ronnie. Lola chega a tempo de ver Manni e Ronnie a cumprimentarem - se.
Quando se encontram, Manni pergunta a Lola o que carrega no saco. Lola sorri.
2. O filme consiste numa narrativa linear e simples?
R: Não. Trata-se de uma narrativa não-linear, ou melhor, de uma narrativa composta por três narrativas, cada uma com começo - meio - fim onde personagens e objectivos permanecem os mesmos, mas mudam as interacções.
3.Esclareça o que se entende por determinismo.
R: O determinismo é a crença de que tudo tem uma causa.
4. Caracterize o que habitualmente se entende por livre – arbítrio.
R: O livre – arbítrio é a possibilidade de fazermos o que queremos (embora não seja sinónimo de fazer tudo o que queremos).
Para haver livre – arbítrio duas condições devem verificar – se:
1 – Devemos ter duas ou mais possibilidades de acção em aberto quando se trata de escolher o que vamos fazer.
2 – As nossas escolhas não devem ser forçadas.
Agir livremente é fazer algo podendo contudo ter feito outra coisa.
O conceito de livre – arbítrio desempenha um papel central na vida moral porque é baseado nele que consideramos as pessoas moralmente responsáveis pelas coisas que fazemos. Acredita – se que sem livre – arbítrio não faz sentido elogiar e censurar certas acções.
5.Caracterize o determinismo radical.
R: O determinismo radical afirma que todas as nossas acções são determinadas por causas anteriores e por isso não são livres (não podemos realmente escolher não as fazer ou realizar).
6. Distinga determinismo radical de determinismo moderado.
O determinismo moderado, também denominado compatibilismo ou determinismo reconciliador, é a tese segundo a qual o facto de o determinismo causal ser verdadeiro não impede que ajamos livremente desde que por acção livre se entenda uma acção sem constrangimentos externos, ou seja, causada pelos nossos desejos, crenças e sentimentos.
Para o determinismo moderado os actos livremente realizados são aqueles cujas causas imediatas são estados psicológicos ou internos do agente. Actos não realizados livremente são aqueles cujas causas imediatas são estados de coisas externas ao agente. Deve notar – se que o determinismo moderado é uma posição determinista que salva o livre – arbítrio modificando a sua caracterização. Agir livremente não é agir de uma maneira podendo contudo ter agido de outra forma. Agir livremente é agir sem ser constrangido por causas externas.
Assim, o compatibilismo defende:
1 – Todo o comportamento humano é determinado por causas ou condições anteriores, pelo que dadas essas condições, nenhuma outra acção é possível a não ser a que realizamos.
2 – As nossas acções são livres no sentido em que não são externamente constrangidas ou forçadas.
3 – As causas das acções livres são certos estados internos do sujeito tais como desejos, crenças e sentimentos.
Para o determinismo radical, as acções humanas são efeitos cujas causas são outros acontecimentos anteriores. Essas causas são factores de tipo ambiental (a educação e o modo como fomos criados), genético e psicológico (experiências anteriores). Ora se a causa das nossas acções reside em factores que o sujeito não controla, não podemos dizer que ele age livremente ou que tem a possibilidade de escolher o que faz.
Para o determinismo radical, afirmar que tudo tem uma causa implica negar o livre – arbítrio, ou seja, implica afirmar que, dadas as causas que influenciam o nosso comportamento, agimos de uma maneira e não podemos agir de modo diferente.
Para o determinismo moderado, afirmar que tudo tem uma causa não implica negar o livre – arbítrio, ou seja, as nossas acções são causadas por estados internos e não por factores externos.
Para o determinismo radical, não é possível conciliar livre – arbítrio e determinismo. Já o determinismo moderado julga possível afirmar que todas as acções são causadas e, contudo, livres.
7.Que importância atribui o filme ao acaso?
R: O acaso é um dos mais importantes elementos temáticos do filme. A sua estrutura ternária serve para mostrar o quanto pequenas mudanças aleatórias de conduta, observadas em perspectiva, podem acarretar em significativas alterações no futuro. Lola tem 3 oportunidades para salvar Manni dos gangsters e em cada oportunidade, devido a pequenos detalhes, os resultados variam entre o desastre de causar a própria morte ou do namorado e a possibilidade de resolver o problema e ainda ficar com o dinheiro. Em várias oportunidades durante o filme, quando Lola de alguma forma intercepta outros personagens, surgem os flashfowards: são rápidas sequências fotográficas que representam cenas do futuro de cada pessoa interceptada e que pretendem mostrar ao espectador que dependendo da maneira como Lola os aborda, os seus futuros tomam caminhos totalmente diferentes. A senhora com o carrinho de bebé, por exemplo, na primeira corrida acaba por perder a guarda do bebé, enlouquecendo e tornando-se uma sequestradora de crianças; na segunda corrida, ganha a lotaria e na terceira corrida, acaba por filiar - se numa seita religiosa. Nas escadarias do seu apartamento, logo no começo das corridas, dependendo da maneira como a protagonista interage com o vizinho e o cachorro – simplesmente esquivando – se com medo, enfrentando-os e sendo derrubada escada abaixo ou voando por sobre os dois – interfere consideravelmente no desenrolar de cada corrida; A secretária Jutta só tem tempo de dizer ao pai de Lola que o seu filho não é dele quando, por acaso, Lola se atrasa na segunda corrida devido ao tombo nas escadas do seu prédio. Na primeira corrida, distrai Herr Meier, momentos antes, na saída da sua garagem – ele dirigia -se ao banco para transportar o pai de Lola - fazendo com que o seu carro colida com outro na rua; é o acaso que permite a Lola salvar o homem na ambulância na terceira corrida, que faz com que ela se dirija ao casino, para que, apostando no acaso (na roleta), ganhe os 100 mil marcos. Deve sublinhar – se que a chave para tantas variantes se encontra em grande medida nas mudanças de atitude de Lola perante a missão que tem pela frente. O realizador constrói a personagem não como alguém que vive uma mesma situação 3 vezes, mas como alguém que possui 3 oportunidades de alcançar o sucesso: uma personagem de jogo de video com 3 “vidas”! Lola parece aprender com as experiências passadas a evitar novos erros fatais.
8. O que distingue as acções de Manni das de Lola na perspectiva de quem defende o determinismo moderado?
R: Segundo a referida perspectiva, podemos dizer que a acção de Manni – assaltar o supermercado – é uma acção determinada por factores externos dado que o chefe do grupo a que pertence o ameaçou de morte. A sua acção é compelida, não – livre.
Lola age determinada por factores internos como crenças – acredita que pode ajudar o namorado a resolver o problema – desejos e sentimentos – podemos dizer que o amor pelo namorado a determina a correr em busca de uma solução. Como não é – pelo menos directamente – constrangida por causas externas a sua acção seria considerada livre por um determinista moderado.
9. Será que o filme defende uma perspectiva determinista radical?
R: Parece – me que não. Para o determinismo radical, o que acontece no futuro é inevitável porque estritamente condicionado pelos acontecimentos - causas do passado. Assim sendo, «tudo o que nos acontece, e tudo o que queremos que aconteça, não é realmente resultado do nosso poder-de-escolha, mas sim resultado de um conjunto de condições e restrições (externas ou internas, físicas ou mentais) a que estamos sujeitos e de que não nos conseguimos livrar de maneira nenhuma.». Ora o filme apresenta três diferentes conjugações de causas e efeitos que conduzem a diferentes consequências: 1- Manni morre; 2 – Lola morre e 3 – Manni resolve o seu problema e Lola ganha o dinheiro – que afinal já não foi necessário - no casino. Segundo o determinismo radical, tendo ocorrido no passado o acontecimento X – Manni é ameaçado pelo seu chefe mafioso e obrigado a devolver o dinheiro perdido/ Lola decide ajudá – lo – o que acontecer depois é um resultado inevitável de X. Ora assistindo ao filme vemos que não há um único resultado possível da conjugação de causas e efeitos que sucede.

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