quinta-feira, 14 de abril de 2011

O RACIONALISMO DE DESCARTES (XIII) - A SEGUNDA PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS PELA VIA DA CAUSALIDADE



O RACIONALISMO DE DESCARTES (XIII)

A SEGUNDA PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS PELA VIA DA CAUSALIDADE

Para Descartes a primeira prova tinha um problema: ele sabia que os leitores seus contemporâneos estavam habituados a ouvir falar de Deus como causa das coisas mas não como causa de uma ideia. Segundo Descartes, esta maneira de pensar desconhece que a ideia de Deus ou de ser perfeito não é uma abstracção mas a marca efectiva do Criador na realidade criada, o sinal da presença do Criador na criatura, do Infinito no finito.
Como sabe que é mais difícil revolucionar as mentalidades do que adaptar-se de algum modo a elas. Descartes vai dar uma nova versão da prova da existência de Deus pela via da causalidade.

O ponto de partida não vai ser simplesmente a ideia de ser perfeito que está na mente do sujeito pensante mas sim o próprio sujeito pensante que tem em si a ideia de perfeito.
Este sujeito é um ser finito (imperfeito, limitado) mas não uma realidade física porque, por enquanto, a existência de qualquer corpo é ainda duvidosa. Nesta prova procura-se explicar qual a causa da existência actual do sujeito pensante, isto é, tenta-se explicar por que causa existiu o sujeito pensante até ao momento presente.
O tempo é, por natureza, uma realidade descontínua. Se eu agora garantisse que existia amanhã garantiria que existiria depois de amanhã e assim sucessivamente, podendo, se assim o quisesse, durar indefinidamente. É óbvio que isto é impossível para um ser finito como o sujeito pensante.
Exemplificando: se, supondo, em 1991 eu não garanto que existo em 1992 então em 1971 eu também não pude garantir (ser a razão necessária e suficiente) da minha existência em 1972. A verdade é que a minha existência se prolongou até agora. Se não fui eu a causa disso então quem foi? Se eu não posso assegurar, num determinado momento, que existirei num momento seguinte, e isto vale para qualquer momento do tempo, então como explicar que eu tenha existido até ao momento presente, isto é, até agora?
Note-se que não se trata de explicar a minha origem (quem me criou) como substância corpórea. Por isso não faz sentido falar dos meus progenitores. O que se trata de explicar é a minha existência actual como substância não sensível. Por isso tenho de saber quem me conservou no ser até ao momento actual.
Nenhum ser temporal, nenhum ser cuja existência se desenvolve no tempo, pode justificar, ser a causa da sua própria permanência no tempo e na existência. Se quisermos explicar isto teremos de admitir que só um ser que transcende o tempo e que é a causa do seu próprio ser poderá explicar a minha existência actual, o facto de eu ter durado até agora. Esse ser é um ser eterno, absoluto, não-temporal, ou seja Deus.
Conclusão: o sujeito pensante sem a existência de Deus teria desaparecido, já não existiria. Loqo, Deus necessariamente existe.

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