terça-feira, 26 de abril de 2011

SÍNTESE DA FILOSOFIA HEGELIANA DA HISTÓRIA

SÍNTESE DA FILOSOFIA HEGELIANA DA HISTÓRIA
A história é o lugar da realização do Absoluto como realidade infinita, i.e., absoluto livre.

A infinitude do Absoluto (Espírito) implica:
a) Que não pode haver limites para o Absoluto.
b) Que nada pode existir fora dele porque tudo o que lhe fosse exterior seria um limite e então o Absoluto deixaria de ser Absoluto, i e, infinito.
c) Como não pode haver limitação e isso implica que nada pode ser exterior ao Absoluto este é necessariamente a totalidade do real.

A História será a progressiva realização do Absoluto ou do Espírito como realidade livre, infinita, isto é, como realidade que vai ganhando consciência de que tudo o que existe tem a sua marca, é manifestação sua. Esta progressiva realização ou autoconsciência do Absoluto é uma transcendência na imanência.

Se o Absoluto assume a condição histórica isso significa que assume formas finitas, temporalmente limitadas, ou seja, torna-se imanente. Contudo, esta ligação ao finito não é uma prisão porque nenhuma forma finita, dada a sua limitação, pode ser definitivamente o Absoluto: manifesta-o de uma forma provisória.
O Absoluto será na sua longa encarnação histórica um devir dialéctico, isto é um processo de constante negação e ultrapassagem das suas figuras finitas, Estas serão suprimidas e ao mesmo tempo conservadas (Este processo de negar e ao mesmo tempo conservar tem o nome de superação - AUFHEBUNG)
 a) São suprimidas porque nenhuma figura finita pode existir por si própria, não tem autonomia ontológica. Suprimir significa portanto negar que as realidades finitas possam subsistir em si mesmas e afirmar que elas só existem como manifestação temporária, limitada, do Absoluto.
b) São conservadas porque sendo manifestações do Absoluto são integradas na totalidade constituída pelo conjunto das manifestações do Absoluto. Se o Absoluto não conservasse essas manifestações, apesar de ultrapassadas, não teria uma história e deixaria fora de si as realidades finitas o que implicaria que não se realizaria como totalidade.

Portanto a história será a forma de o Absoluto se fazer absoluto e, tomar consciência de que tudo o existe tem a marca do Espírito e de que não há limites porque toda e qualquer realidade finita é negada na sua finitude, na sua exterioridade em relação ao Absoluto e integrada no seio deste como manifestação em que o Absoluto se revelou mas em que não se fixou para sempre. O finito será negado como finito e afirmado como o «outro de si mesmo» do Infinito.
A história é assim uma longa odisseia que consiste num processo de totalização, i e, de realização do Absoluto como realidade que auto-suprime qualquer limitação, finitude ou exterioridade, tomando assim consciência de que não há limites ao seu poder. Em suma, se o Absoluto se torna imanente é para mostrar a si próprio que tudo é imanente a si próprio, ou seja, que tudo é manifestação da sua infinitude e que ele tudo governa. A história é a realização do Absoluto como omnipresença, como Espírito do Mundo, i e, a superação da oposição absoluta entre o Infinito e o finito.







ESPÍRITO UNIVERSAL OU ESPÍRITO DO MUNDO (Weltgeist)
(O Absoluto como realidade imanente ou histórica)





ESPÍRITO NACIONAL OU ESPÍRITO DE UM POVO (Volksgeist)
(Realidade finita e de ordem espiritual na qual o Espírito Universal se manifesta mas não se fixa definitivamente. É o «veículo» da manifestação histórica do Absoluto).





INDIVÍDUOS HISTÓRICO-MUNDIAIS
(Seres finitos como Júlio César e Napoleão, que realizam mesmo que disso não se apercebam aquilo que o Espírito de um povo - enquanto lugar ou veículo da manifestação do Espírito Universal - reclama. Cumprem, quer o queiram quer não, aquilo que o seu tempo deles exige, sendo assim meios para o desenvolvimento da vida dos povos).

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